Imagens das páginas
PDF
ePub

de Cochim que lhe ele defendeo porque não entrasse em minha terra : & sele vezes foy cercado & cõbatido por el rey de Calicut e pessoa & por esses reys & senhores que coele erão, por terra & por os rios cô grădes frotas de nauios de remo: em os quaes combates & pelejas duas vezes ho vierão combater com oyto castelos de madeira armados nagoa sobre dous nauios rasos : cada castelo cô bombardas grossas & muytos archeiros & espingardeyros, cổ toda outra frota de nauios de remo com muyta gěle & artelharia em hüs passos que ele por mim tinha no rio de Cochim : & ho dito Duarte pacheco cổ os seus ho desbaratou , & lhe ferio & matou muyta gente : & ouue dele a vitoria em todos os combates & pelejas que coele ouue, & cõ seus capitães & gente, & tres meses & meo esteve em guerra com el rey

de Calicut nos passos de Cambalão, & Darraul, & Palurte sofrendo muy grandes afrõtas favorecendo meu partido : ajudando me a soster minha terra com mais risco de se perder a juyzo de todos, que de me poder socorrer nem saluarse assi mesmo, & por vontade & ajuda dos deoses fez ho dito Duarte pacheco tanto dano a el rey de Calicut nesta guerra que ho não pode sofrer & lhe conueo aleuantarse com seu arrayal & irse cô esses reys & senhores que ho ajudauão que estauâo ja muy desbaratados & mingoados de credito, & tinhão perdida muyta gente assi morta como ferida , em a qual guerra me ho dito Duarte pacheco tem feytos muy grandes & assinados seruiços : & no começo dela ele me prometeo de ir receber el rey de Calicut ao caminho no passo de Cambalão: & assi ho fez poendose em risco de se perder. E coisso & com as cousas que fez me segurou minha terra, as quaes cousas Duarte pacheco fez cổ sua gěte & algủa pouca minha de que lhe tinha dado carrego, & muytas delas fez em minha presença, que eu mandey todas escreuer por pessoas autenticas, porque forão muy grandes segundo sua pouca força & ho grande poder del rey de Calicut: & a juyzo de todos os Malabares mais

por honrra

parecião suas cousas serê feylas por mão & fauor dos deoses , ģ por rezão nem força humana: & porq eu fuy muy bem socorrido & ajudado por ho dito Duarte pacheco & sua gente, & me tem feytos muy grandes & assinados seruicos nesta guerra , & defèdeo a el rey de Calicut os passos, & vaos & entradas de Cochim, & me ajudou a defender minha terra questaua em condição de a perder se ele não fora, o q lhe não posso negar que forão seus feytos muy notorios & gerais em toda a India, në lhe posso pagar seus grădes seruiços como eles merecê não querendo ele de mim tomar nada. Eu Ite. rama maratinquel vnirramacoul trimumpati rey de Cochỉ de meu proprio moto & liure vontade, & poder ausuluto: por memoria & sinal de seus feytos, & das afrõlas que por mim passou nesta guerra,

& de sua pessoa, & dos q dele decenderem lhe dou ho dom ģ soube que os Portugueses tem por honrra, que ele se possa chamar dõ Duarte pacheco, & todos os ĝ dele decenderem: & assi The dou por insinias & sinais de seus feytos & hõrra que nisso ganhou hü escudo vermelho por sinal do muyto sangue que derramou dos de Calicut nesta guerra, & dentro nele The dou cinco coroas douro em quina por cinco reys que nela desbaratou. E a bordadura deste escudo The dou branca com ondas azueis, & nela oylo castelos verdes de madeyra armados nagoa sobre dous nauios rasos cada castelo, por duas vezes que ho combaterào cổ estes oyto castelos & dambas os desbaratou : & doulhe sete bandeiras de põta ao derredor deste escudo, tres vermelhas & duas brancas, & duas azueis por sete combates que lhe el rey de Calicut deu por sua pessoa , & em todos sete ho desbaratou , & por sete bådeiras que lhe tomou , das mesmas cores & feyção que abaixo irão : & doulhe bû elmo de prata aberto goarnecido douro & ho paquife douro & vermelho, & por timbre bû castelo do mesmo teor com hứa bandeira vermelha de ponta nele: as quais insinias & armas ele podera trazer mesturadas com as armas de sua linhagem , ou sem elas, ou como ele quiser cô a dita bordadura ou sem ela, como lhe melhor parecer que eu de meu proprio moto & ljure vontade, & poder ausoluto lbas dou como dito tenho co ho don a ele & a todos os ở dele decenderem por muy grãdes & assinados seruiços que me të feytos como acima he declarado : & pera sua goarda & minha lembrança lhe mandey ser feyta esta carta por mi assinada. Chericanda escriuão de sua fazêda a fez em Cochim, & foy terladada por ini Aluaro vaz escriuão da dita feytoria de Cochỉ & assinada por el rey de Cochỉ. Feyta è Cochi aos dous dias do mes Dagosto de mil & ccccciiij. anos. »

CAPI T O L O LXXXIX.

De como ho capitão mór Duarte Pacheco foy socorrer

ao feytor de Coulão. Sabêdo Duarte pacheco a necessidade que auja dir socorrer ao feytor de Coulão esperou ate q ho têpo não fosse tão verde como era : & pera ir mais seguro foy na sua nao & deixou as carauelas em Cochim pera ở goardassem ho porto de Cochim , & deixou por capitão mór Pero rafael, & quis nosso senhor que afastado de terra achou ho mar brådo & chegou sem perigo a Coulão : & com sua chegada ficará os mouros muyto tristes por terem algûs lançadas ao mar cinco naos que carregauão cố gråde pressa porque se partissem antes que ho capitão mór chegasse, ģ bem lhes parecia que auia de ir na entrada do verão, mas não tão cedo porq repousaria da guerra passada : & muitos se forão logo com medo. Os da cidade decercarào logo os nossos , & todos amigos forã receber ho capitão mór ao mar,

& leuarålhe muyto refresco, assi os da cidade como os mouros: que ele recebeo muyto bề dissimulando o que tinhão feyto por não aluorocar a terra. E disselbes que era ali vindo pera fazer tudo o que lhe comprisse & goardar a amizade & paz que estaua assentada antreles, & el Rey de Portugal seu senhor. E porque hủa das condições do côtrato da amizade fora que se não leuasse pera fora phùa especiaria ate q ho nosso feytor não comprasse a de que teuesse necessidade pera carregação das nossas naos, que ele não auia de consentir que esta côdição se quebrasse por ser muyto principal åtre todas as outras: & por isto nã auia nhừa nao de sayr do porto sem as mandar buscar primeyro se leuauão especiaria. () que os mouros sofrerão muyto contra sua võtade, porem consentirão polo medo que lhe auião , & por ele mostrar aos mouros que tinha cõprimento coeles mandou rogar aos senhores das naos que estaua no porto que não comprassem phũa especiaria se na pera comer: & The des. sem a que tinhảo carregada: porque de toda tinha necessidade pera as nossas naos que esperaua ĝ erão muytas. E isto das naos serem muytas lhes dizia pera lhes quebrar os espiritos, & mandoulhes q logo descarregassem a especiaria & a êtregassem ao nosso feytor. O que os mouros ouuerão por muyto graue cousa & não ho

querjão fazer & por isso se detinhão: o que ele vendo, & temềdo que a tardança era pera se fazerè fortes, mandou logo atrauessar a sua nao diante das proas das cinco ģ estavão começadas de carregar & mandou fazer prestes os seus pera pelejarem: mädando aos senhores das naos que logo descarregassem a especiaria. E porą na praya andaua, muyta gente & se temeo que fosse socorrer as naos, mandou lá ho seu batel ben artilhado que ho defendesse & nele ya Ruy daraujo, assi so, como pera ètrar nas naos & as fazer descarregar: porġ ja os senhores delas cổ medo ho consentião. E descarregadas as naos , madou dizer aos regedores da cidade, porque parecesse que tinha coeles comprimento que nã ouuessem por mal o que fizera aos mouros, porâ mais lhe merecjão pola afronta em que poserão os nossos que estauão na feytoria : & que se auisassem que não deixassem sayr do porto nbùa nao sem lho primeyro fazere saber pera as mandar buscar, se não que soubessem certo que as mãdaria tomar pera el rey seu senhor, o que The eles prometerão. E com tudo ele esteue aquela noyte em vigia sobre as naos, & com ho seu batel ao longo da praya, pera que nhựa gente da terra fosse ás naos : & assi esteue algûs dias que ho tempo não deu lugar pera sair ao mar, & com sua licêça sayrão do porto tres naos dos mouros hũa , & hữa, & coesta diligẼcia ouue muyta especiaria : & tambe porque os mouros de Calicut como ho virão no porto fugirão com medo. E sendo ho tempo brando ja na entrada de Setembro, sayose pera fora da barra a vigiar q não passasse nhừa nao com especiaria , & tomou aigüas que mandou descarregar: 0 que os mouros, & assi

pera is

& assi os da cidade auião por muyto grăde sugeição. E entendendo ele isto, porque não se posessern coele em algù estremo com que faria pouco proueito na fazenda del rey seu senhor: deu licença aos mouros & aos regedores da cidade que pera Choramandel leuasse cada nao certos fardos de piinenta & mais não. Do que eles forão muy contentes , & lho agardecerão muyto. E auědo ainda os mouros isto por opressam, quiserão por manha deitalo dali, deitando fama que estauão em Coulão homês de hùa nao de Calicut muyto rica que ficaua em hảa pequena ilha ao mar de Coulão porque indo em sua busca carregassem & se fossem. E queredo ele ir buscala foy auisado do ardil dos mouros, & por os acolher na empresa mostrando que ya buscar a nao, foyse a Caicoulão que he perto: & tornãdo achou na costa duas naos de mouros que se partião carregadas & tomouas. E vědo os mouros que lhe não aproueitara aquele ardil buscarão outro, que fizerão hů patamar dissimulado q ya de Calicut: & dizia ãtre outras cousas que se armauão em Calicut vinte naos pera irem sobrele : & isto se teue por tão certo que crendoho ho feytor The mandou recado, & tambê algüs mouros seus amigos que ho forão ver lho affirmarão por muyto certo. E ele Thes respondeo que viessem com suas naos quando qui

« AnteriorContinuar »