O Império em procissão: ritos e símbolos do Segundo Reinado

Capa
J. Zahar, 2001 - 84 páginas
Este livro acompanha a cerimônia de sagração e coroação de D. Pedro II e analisa os símbolos desse teatro da política: insígnias, emblemas, palácios e a própria etiqueta.

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1 – Introdução
O trabalho a seguir é constituído a partir da leitura do livro “O Império em procissão – Ritos e símbolos do segundo reinado.” De Lilia Moritz Schwarcz. O livro centraliza seus
estudos na procura pela racionalidade do poder político; a forma como o Estado se organiza, as leis que implementa as posturas que adota e a forma como o povo vive. O mais difícil de entender é que em tempos tão modernos rituais, símbolos e costumes constituem o poder e faz parte de sua realização em medidas diretas, racionais em sua execução. Na verdade trata-se de pensar na simbologia do poder político, e de como o Estado se utiliza de aparatos teatrais para representar e encenar o poder, que efetivamente exerce.
Somente na monarquia que os rituais e símbolos ganham um lugar oficial, fazendo parte do próprio corpo da lei. Nesse regime a etiqueta adquire uma posição central, a festa se realiza como uma extensão do sistema, as insígnias representam à sobrevivência e também a vigência do modelo onde o rei se transforma em ícone maior. Entender a sociedade da corte é entender a lógica de que a vida gira em torno do rei. É um tipo de afirmação e exposição das constantes diferenças hierárquicas – O ritual e a simbologia transformam-se em modelo teatral, parte essencial e integral do Estado.
Portanto a idéia do texto é privilegiar essa perspectiva: o terreno mágico, sagrado e simbólico da realeza brasileira que, o mesmo tempo, atualizou a tradição européia e a fez dialogar com as representações locais. É por isso mesmo que o manto do soberano representará o céu do Brasil e a “murça” do Imperador será feita de penas de papo de tucano: uma homenagem aos caciques desta terra tropical. O fato é que os rituais se misturam assim como os nomes, o termo “imperador” seria uma resposta a várias demandas locais, de acordo com José Bonifácio. Entre universos cruzados vê-se como a lógica simbólica inscreve-se na dinâmica do poder.
O convite do livro é para seguir a procissão da corte com a notícia da coroação de D. Pedro II, e nesse cortejo de sagração, ser espectadores privilegiados do monarca, conseguindo com a leitura sentir o quanto às ruas cheira mal, vermos que a população mulata adere ao ritual com seus lundus e batuques, valendo a pena qualquer sacrifício, afinal, é o início de 1841 – o golpe da maioridade – D. Pedro no trono com apenas 14 anos.
Não há outra maneira de tomar parte nesse teatro, onde se dissimulam a pouca idade do rei e a instabilidade de um Estado, que só pode imaginar sua centralização a partir da imposição de um governante que é antes um símbolo: um símbolo de sua posição, local e poder.
Fazendo uma analogia com o livro a autora nos leva a assistir a um apoteótico e maravilhoso espetáculo.
2 – Seguindo a procissão: a lógica das festas e dos rituais.
No dia 19 de julho de 1841 a corte do Rio de Janeiro amanheceu em festa. Estava para acontecer o maior espetáculo que jamais encenara no Brasil e exibiam-se com luxo seus símbolos rituais diletos.
Longe das luxuosas cortes européias, a capital da monarquia brasileira agrupava a maior concentração urbana de escravos existente no mundo desde o final do Império romano: 110 mil escravos sobre 266 mil habitantes – o escravismo representava uma ameaça constante à instabilidade da monarquia e contrastava com a imagem oficial desse reinado americano.
Não era, porém, apenas a escravidão que ofuscava o cenário, a corte estava mais centralizada nos centros urbanos: o peso da população rural era enorme quando contrastado à urbana.
Estava, portanto, para ser coroado o primeiro monarca genuinamente brasileiro, o representante de uma dinastia local e logo o evento deveria se prolongar durante quatro dias festivos. Todos da corte como constava no programa n. 1deveriam estar à espera do início da cerimônia. Esse programa tratava das regras para a entrada do monarca, tudo virava instrumento para a atenção, a atração, a sedução e
 

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