Meu livro de cordel

Capa
Global Editora, 4 de set de 2015 - 112 páginas
A simplicidade, a qualidade mais distinta na poesia de Cora Coralina, está mais presente do que nunca em "Meu livro de cordel". O título é significativo, homenagem da autora "a todas as estórias e poesias de Cordel", e atestado de sua afinidade com "os anônimos menestréis nordestinos, povo da minha casta, meus irmãos do nordeste rude". Essa simplicidade anda sempre de mãos dadas com um aguçadíssimo espírito de fraternidade e uma sensibilidade aberta à vida e às novidades do mundo. Assim, a poeta tanto estende a mão a todos os perseguidos (no caso, os judeus), num gesto de solidariedade, como presta seu tributo de admiração a Pablo Neruda, poeta descoberto na velhice e que a deixou deslumbrada. Vários poemas do livro são autobiográficos. Como todo artista, Cora Coralina não cessa de se olhar no espelho, de se indagar, em busca do mistério de si mesma que, no fim de tudo, é o próprio mistério da vida. A segunda parte do livro é toda confessional. "Cora Coralina, Quem é Você?", indaga a poeta no título de um dos poemas. E responde: "Sou mulher como outra qualquer./ Venho do século passado/ e trago todas as idades". Mulher como as outras, mas de destino áspero, com o qual lutou de maneira incansável, como conta em "A Procura", especie de sumula de sua vida: "Andei pelos caminhos da Vida./ Caminhei pelas ruas do Destino -/ procurando meu signo./ Bati na porta da Fortuna,/ mandou dizer que não estava./ Bati na porta da Fama,/ falou que não podia atender./ Procurei a casa da Felicidade,/ a vizinha da frente me informou/ que ela tinha se mudado/ sem deixar novo endereço./ Procurei a morada da Fortaleza./ Ela me fez entrar: deu-me veste nova,/ perfumou-me os cabelos,/ fez-me beber de seu vinho./ Acertei o meu caminho". Acertou o caminho, sobretudo, quando essa fortaleza começou a se esparramar em poesia.

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Sobre o autor (2015)

Cora Coralina é o pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto (1889-1985), que nasceu na cidade de Goiás, antiga Villa Boa de Goyaz, em 1889. Filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de Jacinta Luísa do Couto Brandão, Ana nasceu e foi criada às margens do rio Vermelho, em casa comprada por sua família no século XIX, quando seu avô ainda era uma criança. Estima-se que essa casa foi construída em meados do século XVIII, sendo uma das primeiras construções da antiga Vila Boa de Goiás. Aos 15 anos de idade, Ana, devido à repressão familiar, vira Cora, derivativo de coração. Coralina veio depois, como uma soma de sonoridade e tradução literária. Foi uma poetista e contista brasileira de prestígio, tornando-se um dos marcos da nossa literatura . A autora iniciou sua carreira literária aos 14 anos com o conto "Tragédia na Roça" publicado no "Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás". Casou-se com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Brêtas e teve seis filhos. O casamento a afastou de Goiás por 45 anos. Ao voltar às suas origens, viúva, iniciou uma nova atividade, a de doceira. Além de fazer seus doces, nas horas vagas ou entre panelas e fogão, Aninha, como também era chamada, escreveu a maioria de seus versos. Publicou o seu primeiro livro aos 76 anos de idade e despontou na literatura brasileira como uma de suas maiores expressões na poesia moderna. Em 1982 – mesmo tendo estudado somente até o equivalente ao 2o ano do Ensino Fundamental – recebeu o título de doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás e o Prêmio Intelectual do Ano, sendo, então, a primeira mulher a receber o troféu Juca Pato. No ano seguinte foi reconhecida como Símbolo Brasileiro do Ano Internacional da Mulher Trabalhadora pela FAO. Morreu em Goiânia, aos 95 anos, em 1985.

Informações bibliográficas