Os melhores sonetos da lingua portuguêsa desde Sá de Miranda

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Gomes de Carvalho, 1907 - 89 páginas
 

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Passagens mais conhecidas

Página 41 - Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida, descontente, Repousa lá no Céu eternamente E viva eu cá na terra sempre triste.
Página 79 - A vida é o dia de hoje, A vida é ai que mal soa A vida é sombra que foge, A vida é nuvem que voa ; A vida é sonho tão leve Que se desfaz como a neve E como o fumo se...
Página 24 - O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E em mi converte em choro o doce canto. E afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soía.
Página 57 - À cova escura Meu estro vai parar desfeito em vento... Eu aos céus ultrajei! O meu tormento Leve me torne sempre a terra dura. Conheço agora já quão vã figura Em prosa e verso fez meu louco intento. Musa! tivera algum merecimento Se um raio da Razão seguisse pura! Eu me arrependo; a língua quase fria Brade em alto pregão à mocidade, Que atrás do som fantástico corria: Outro Aretino fui...
Página 39 - Longo tempo apos si me trouxe cego, De vós me aparto, si; porém não nego Que inda a longa memoria, que me alcança, Me não deixa de vós fazer mudança, Mas quanto mais me alongo, mais me achego Bem poderá a Fortuna este instrumento Da alma levar por terra nova e estranha, Offerecido ao mar remoto, ao vento. Mas a alma, que de cá vos acompanha, Nas azas do ligeiro pensamento Para vós, águas, voa, e em vós se banha.
Página 56 - Os membros quase nus, o aspecto honrado Por vil boca, e vil mão roto, e cuspido, Sem ver um só mortal compadecido De seu funesto, rigoroso estado: O penetrante, o...
Página 47 - Tu respondes-me assim ? tu zombas d'isto? Tu cuidas que por ter pae embarcado Já a mãe não tem mãos...
Página 57 - Já Bocage não sou ! . . . À cova escura Meu estro vai parar desfeito em vento. . . Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento Leve me torne sempre a terra dura. Conheço agora já quão vã figura Em prosa e verso fez meu louco intento. Musa! tivera algum merecimento Se um raio da Razão seguisse pura! Eu me arrependo; a língua...
Página 76 - Espírito que passas, quando o vento Adormece no mar e surge a Lua, Filho esquivo da noite que flutua, Tu só entendes bem o meu tormento... Como um canto longínquo — triste e lento — Que voga e subtilmente se insinua, Sobre o meu coração, que tumultua, Tu vertes pouco a pouco o esquecimento... A ti confio o sonho em que me leva Um instinto de luz, rompendo a treva, Buscando, entre visões...
Página 66 - Antero, quando este considera a sua geração como a primeira que em Portugal saíra da velha estrada da tradição consciente e resolutamente. «Era o tempo em que eu e os meus camaradas de Cenaculo — reforça Eça — deslumbrados pelo lyrismo epico da Légende des Siècles, «o livro que um grande vento nos trouxera de Guernesey...

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