Civilização e cultura

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Global Editora, 21 de fev. de 2017 - 736 páginas
Civilização e cultura é um tratado de etnografia sem similar, construído com erudição caudalosa e simplicidade de expressão. Pode ser consultado por especialistas, estudantes ou curiosos, graças ao dom do autor de tornar acessível os problemas mais complexos, com exemplos que todos entendem, como se desse uma aula. O subtítulo de Civilização e Cultura indica que a obra reúne "pesquisas e notas de etnografia geral". Modéstia. Na realidade, trata-se de um inigualável tratado da ciência que estuda "todas as manifestações materiais da atividade humana" (definição de Jules Hamy), sentido e construído, mas sobretudo pensado por um grão-mestre do assunto, capaz de raciocinar por sua própria cabeça. "Realizo um jabuti brasileiro que não se esconde no bojo da viola de nenhum urubu voador para ir à festa do céu 'científico'", ironiza Luís da Câmara Cascudo. Construída com erudição caudalosa e simplicidade de água corrente, sólida e harmoniosa como uma catedral medieval, a obra tanto pode ser compulsada por especialistas como por iniciantes em etnografia. É uma aula memorável, sem paralelo na língua portuguesa, pronunciada por vezes em estilo quase desabusado, que talvez faça muito cientista torcer o nariz. Assim, para alertar sobre a dificuldade de se ter uma visão clara do homem pré-histórico, Cascudo conta a briga entre um soldado e um marinheiro, desenrolada diante de cinquenta pessoas. Apesar de tantas testemunhas foi impossível reconstituir como começara e terminara a luta, tamanhas as contradições dos depoimentos. Partindo da conceituação da ciência, analisando a sua evolução, debatendo as suas doutrinas, a obra sintetiza milhares de anos de civilização e cultura, do paleolítico aos tempos históricos, numa viagem milenar, da vida do homem das cavernas à organização do governo e a formulação de leis, trilhando todos os atalhos e avenidas que se desenvolveram em paralelo a esse grande milagre: a busca do abrigo, a propriedade, as atividades de caça e pesca, o comércio, os transportes, a religião, a família, a compreensão do próprio caminho do homem como criador e transmissor de civilização e cultura.

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Sobre o autor (2017)

Um dos mais respeitados pesquisadores do folclore e da etnografia no Brasil, Luís da Câmara Cascudo viveu quase toda sua vida no Rio Grande do Norte. Lia muito, recebia visitas, escrevia demais. Em suas viagens fazia amigos e ouvia histórias. Trocava muita correspondência. Por ser um homem muito querido, recebia – por escrito ou ao pé do ouvido – muitas informações sobre "causos" que embalaram o sono e assustaram gerações e gerações. Professor Cascudo, como historiador que era, também pesquisou os caminhos trilhados pelo homem e seu legado nos deixou as mais preciosas informações sobre a cultura brasileira. Em 1954, lançou a sua obra mais importante como folclorista, o Dicionário do Folclore Brasileiro, obra de referência no mundo inteiro. No campo da etnografia, publicou vários livros importantes como Rede de Dormir, em 1959, e História da Alimentação no Brasil, em 1967. Publicou depois, entre outros, Geografia dos Mitos Brasileiros, com o qual recebeu o prêmio João Ribeiro da Academia Brasileira de Letras. O pesquisador trabalhou até seus últimos anos e foi agraciado com dezenas de honrarias e prêmios. Morreu aos 87 anos.

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