No limiar do século XX

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Nova Fronteira, 31 de jan de 2014 - 312 páginas
A Coleção Mar de Histórias: antologia do conto mundial é composta por 10 volumes independentes que contém, nada menos, que 239 contos, de 192 autores escolhidos entre os melhores de 41 países. A expressão Mar de Histórias foi tirada do título, em sânscrito, Kathâsaritsâgara, de uma antiga coletânea da Índia, do século XI. A sua tradução significa isso mesmo: "mar formado pelos rios de histórias". A obra foi organizada há mais de quarenta anos por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e Paulo Rónai, dois dos maiores tradutores e estudiosos da Literatura Mundial em todos os tempos e gêneros.Após o leitor haver encontrado, nos sete volumes precedentes, diversos espécimes da pré--história do conto moderno, aqui finalmente entra em contato com a safra dos primeiros anos do século XX. Era impossível que muitos deles não refletissem a ansiedade que, após as ilusões otimistas do século XIX, começava a apoderar-se de muitos espíritos e seria plenamente justificada por duas guerras mundiais. Sob esse ponto de vista, convém assinalar "O tenente Gustl", do vienense Arthur Schnitzler, que, relatando um incidente corriqueiro, desmascara o militarismo e a hipocrisia do Império Austro-Húngaro. Nos dois breves relatos do misterioso Rafael Barrett perpassa um vento do anarquismo. Nos amigos que jogam sua partida diária de cartas em "O grande slam", do russo Leonid Andreiev, é difícil não ver as vítimas predestinadas da próxima catástrofe. Em "Na paz do Natal", do dinamarquês Johannes Vilhelm Jensen, é mostrado o desencadeamento de instintos malsopitados.Dois contos de temática histórica intensificam a impressão de insegurança: o sueco August Strindberg, ao evocar, em "O império milenar", a atmosfera de terror do primeiro milênio, parece aludir às ameaças do segundo, e Ricarda Huch, em "O cantor", protótipo da grande novela alemã, conta um episódio macabro da corte de Inocêncio X, exemplo convincente da fragilidade da justiça humana.

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