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Estava da minha parte proceder a novas tentativas de indagação, no que fui poderosamente auxiliado pelo desvelo e obsequiosa bondade dos Sr.Visconde de Santarem e Mr. Ferdinand Denis; mas sendo mallogradas as minhastentatívas, não quero comtudo deixar de apresentar as mais antigas referencias que encontrei d'esta traducção, e as minhas conjecturas sobre a sua existencia.

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ANONYMO
(mz)

TRADUCÇÃO DOS LUSIADAS

Em uma nota de Mr. Verdier (referindo-se talvez ao Jugement des Sçavans) se diz que o Poema dos Lusíadas fora traduzido na lingua franceza n'este anno. Entre os traductores francezes diesta epocha de obras portuguezas deparamos os nomes de J. B. de Glen e Bernardo Figuier, o _traductor de Fernão Mendes Pinto. Ignacio Garcez Ferreira diz que fora traduzido por um Mr. Scharron; se o foi não era o marido de M."'° de Maintenon que viveu muito depois, já no fim d'este seculo.

MILm M. nl.
um)

ESSAI D,Il\IITATION LIBRE DE L,EPISODE D,li\`EZ DE CASTRO DANS LE POEME DES LUSIADES DE CAMOENS PAR ALL” M. M.›A LA HAYE ET SE VEND A BRUXELLES CHEZ J. VANDEN BERGHEN IMPRIMEUR LIBRAIRE RUE DE LA MAGDELAINE I733

É a esta senhora que se deve o primeiro Ensaio conhecido de tra,ducção franceza do nosso Poeta; o tocante episodio de D. Ignez não podia deixar de commover o bello sexo. Sentimos muito que guardasse o anonymo, e não poder aqui desvendar-lhe o nome aos olhos do publico. Ha um exemplar d'esta traducção na bibliotheca publica.

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LOUIS ADRIEN DUPERON DE CASTEBA
(173;)

LA LUSIADE DE CAMOENS POEME HEROIQUE SUR LA DECOUVERTE DES INDES ORIENTALES TRADUIT DU PORTUGAIS PAR MRHDUPERON DE CASTERA. AMSTERDAM 1735. 3 VOL. l2.° .-i.' EDIÇÃO, PARÎS 4768. 3 VOL. Ii.”

Ha uma dedicatoria ao Principe de Conty, feita em verso, segue-sc um prefacio e depois uma Vida de Camões, com o epitaphio latino da sepultura e o soneto do Tasso traduzido em versos franceze's.

No prefacio se desculpa de ter querido desfiar o fio da allegoria do poema dos Lusíadas, que aliás pretende que o poeta explica no mesmo sentido no Canto ni, e mais claramente em algumas de suas cartas. Teria acaso o traductor conhecimento da collecção que n'este tempo existia na livraria do Conde de Vimieiro? No fim de cada canto vêem notas do traductor, nas quaes mostra bastante erudição; n"estas se esforça em rebater a critica que o seu celebre contemporaneo Mr. de Voltaire faz no Ensaio do Poema Epico ao nosso poeta.

Daremos agora as noticias biographicas que, por ofliciosa interven

, ção do sr. Visconde de Santarem, podemos obter relativas ao traductor.

«Louis Adrien Duperon de Castera. Resident de France Aa Varsovie, né à Paris, mort le 28 août 1752 dans le 45' année, a publié plusieurs romans mediocres, et quelques écrits ridicules qui provoquerent la Satyre de l’abbé Desfontaines.»

Cita o biographo as obras de que acima trata, depois acrescenta:

« La Lusíade de Camoens, Paris 1735-1768 in 12°, trois vol., precedee d’une vie de cet homme célebre. Duperon convient dans sa preface qu’il peut être reste souvent au-dessousI de son modèle; mais il demande qu’on lui sache gré de la bonne intention, il annonce qu’il a employé une prose poetique et nombreuse qui conserve les traits hardis et les figures de l’original; il n’a pas cependant atteint le but qu’il se proposait, car c'est surtout son style froid, traînant ou boursouflé qui faisait désirer qu’un écrivain plus habile'se chargea d’être l’interprète de ce chef d’œuvre du premier des litterateurs portugais. Duperon à sur La Harpe l’avantage d’avoir sû la langue portugaise, mais du reste c’est le seul. Parmi les notes que Duperon a ajouté à la fin de chaque chant, il en est de tres singuliers, il s'efforce d’y justifier le mélange si

\ habituel au Camoens dos fables du paganisme aux légendes de la Reli

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gion Chrétienne 4. Pour y parvenir il pretend que Mars estJesus-Christ, Venus la religion, Cupidon l'Esprit Saint, Bachus les demons, etc. Ã la bonne heure (disait, plaisamment Voltaire), j'y consens, mais j'avoue que je ne m'en étais aperç-ü.

SULPIGE GAUBER DE BARAULT
(1152)

'LA uonr D'nvsz DE cAsTno Poun sEnvm D'EssAr _A um: TnADUcnoN rnANçAisE EN vans Er coMrLÊ'rE DE cs FAMEUX roEuE PonTucAis. orvnAcE DEDiÉ Er PnEsEN'rÉ AU noi u: õ DE :um ms, ¡oun DE LA NAlssANcE DE sA MAJl-:sná PAn sULPlcE GAUBIER DE BAnAULr,`1uA10n Dr. LA PLACE DE usDoNNE. A LlssoNNE, DE LiiMPmMEmE nov-ALE.

A traducção do Episodio de D. Ignez'de Castro em versos alcxandrinos, e a do Adamastor em oitava rima, ambas precedidas de uma dedicatoria ao Rei. '

O auctor se propunha a traduzir o poema por inteiro, como declara na dedicatoria. Thomás d”Aquino elogia muito esta traducção, e diz que se imprimiram muito poucos exemplares, sendo por isso de summa raridade, conservando-se apenas um ou outro em poder de algum curioso.

D. HEBMILLY ET I. FR. LÁ HARPE
(1116)

LA LUSIADE DE LOUIS DE CAMOENS, POEME HEROIQUE EN DIX CHAN'I'S, NOUVELLEMENT TBADUIT DU PORTUGAIS AVEC DES NOTES ET LA VIE DF. L,AUTEUR ENRICHI DE FIGUBES A CHAQUE CHANT. 2 VOL. 8.' PARIS 4776

Esta traducção é precedida de uma advertenciae umavida do poeta, no principio de cada canto um argumento em prosa, e é ornada de bellas gravuras com explicações.

l Eu acrescentarei que o auctor d'este artigo ignorava que este Melange era usual nos auctorf's da idade media. Nas antigas cartas geographicas anteriores ao tempo de Camões, e que publiquei no meu Atlas, se encontra esta mistura das legendas do Christianismo com as fahulas do paganismo. (Nota do sr. Visconde de Santarem.) °

_ Esta versão foi feita sobre outra litteral do poema, porquanto otraductor ignorava a lingua portugueza. Veja-se sobre esta traducção Thomás Jose d'Aquino, Mickle, Brunet, Manuel du Libraire, Fournier, Nouv. Dict. part. de BibIiog'r., Bibliot. d'un homme de gout. Tom. r, pag. 230. Adamson, Mem. of Cam., Garrett.

MR. I. P. CLARIS. DE FLORIAN

(nu-mr)
EPISODE DE D. IGNEZ DE CASTRO. CHANT Ill

Esta traducção, que é em oitava' rima, vem nas difl'erentes edições das obras de Florian.

i vovAcEs lMAoINAmEs, noMANEsoUEs, MEavmLLEUx, Aumoomouns, me. ' AMSTERDAM, nas. se i

O volume xxvn começa com: «LiIsle enehantée, Episode de la Lusiade traduit de Camomsn» Tem uma bella gravura de Venus, fallando a Cupido.

CARRION-NISAS (MARIE-HENRI-FBANÇOIS
ELISABETH MABQUIS DE)

citado como tendo traduzido fragmentos dos Lusíadas.

Carrion de Nisas, homem politico e litterato francez, nasceu em Montpellier a l7 de Março de 47 7 7, e morreu na mesma cidade no`anno de 18/41. Seguiu a revolução e o imperio, e sendo encarregado pelo Imperador de levar a Imperatriz o tratado de Tilsit, na audiencia de despedida ousou aconselhar o Imperador de se conservar em principios de paz e estabilidade, `apoiando o seu conselho com estes versos do Tasso: . .

Giunta é tua gloria al summo; e per l'inpanzi
Fuggir le dubbie guerre a te conviene.

' _ Serviu na guerra Peninsular, e esteve no estado maior de Junot em Portugal, que o encarregou de algumas partes do serviço administra

tivo do paiz. Na batalha de Vimieiro livrou Junot de cair no poder de um destacamento de cavallaria ingleza; foi elleque levou a Biblia de Belem, que foi buscar por ordem de Junot. Apresentou-se aos Bourbons, porém tendo tornado ao serviço de Napoleão, se occupou o resto da vida em trabalhos litterarios, sendo sempre vigiado pela alta policia. Escreveu varias obras e entre estas duastragedias: Pedro Grande e Montmorency. '

` F. A. PABGEVAL GBANDMAISON
(um)

LES AMOURS EPIOUES, POEME HEROIQUE EN SIX CHANTS

Esta obra compõe-se de differentes episodios ou imitações dos Epicos (Homero, Virgilio, Ariosto, Milton, Tasso e Camões): o auctor sup- . põe que estes poetas se reunem nos Campos Elysios, e cercados dos Manes, repetem entre si uns aos outros, os Cantos que n'outro tempo tinham composto sobre o amor. O ultimo Canto, o vr, é reservado a Ca- mões, que o auctor elogia e emparelha com o Ariosto e o Tasso.

Le brillant Camoens, l'Arioste et le Tasse
Rivalisant diéclat, de fraicheur et de grace
Des riches tictions avant cueilli les tleurs
Partagerent le prix de leurs vers echanteurs;

Esta poesia foi lida a Napoleão no Instituto do Cairo, e applaudida pelo Imperador. . ' - ' Ainsi je repetois vers l'eté de mes jours Des poêtes fameux les chants remplis diamourz Tandis quiaux bords du Nil, le heros de la France Des'Mameluks altiers foudroyoitla puissance, Aprivoisoit ltorgueil de ce fleuve domte Et preparoit au loin son immortalité. Que dis-je? a ces travaux j'associai moifmeme ' Mon humble nom, -couvert de sa gloire suprème, Dans mon timide vol il daigna m'enhardir, A mes faibles essais je le vis applaudir.

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