O jardim das Aflições: de Epicuro à ressurreicão de César ; ensaio sobre o materialismo e a religião civil

Capa
Realizações, 2000 - 335 páginas
1 Resenha
Um livro original e perturbador que, partindo da análise de um evento aparentemente menor e tomando-o como ocasião para mostrar os elos entre o pequeno e o grande, vai se alargando em giros concêntricos até abarcar, numa complexa filosofia da história, o horizonte inteiro da cultura Ocidental.

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Resenha do livro Jardim das Aflições - Olavo de Carvalho
Editora: É REALIZAÇÕES
Introdução
A partir de uma palestra de José Américo Motta Pessanha, em um seminário de ética em 1993, Olavo de Carvalho constrói uma desconcertante narrativa sobre a falência intelectual de nosso tempo e a consolidação da nova era em que o indivíduo é destruído dentro de uma nova concepção de Império.
Questiona os critérios do seminário no MASP que ao discutir a ética grega, referiu-se apenas às tragédias e a Epicuro, ignorando propositalmente os grandes filósofos gregos que trataram do assunto, notadamente a trinca Sócrates-Platão-Aristóteles. A ética medieval ficou reduzida à inquisição, ignorando completamente a escolástica e o monumental trabalho de Tomás de Aquino e Agostinho. Para Olavo, o sentido era claro, desviar as mentes de qualquer análise filosófica mais séria.
Pessanha teria apresentado Epicuro como modelo para a ética moderna e a partir deste ponto começam as reflexões de Olavo. Na verdade, o palestrante não queria construir um debate sobre ética mas usá-la como instrumento político. Analisando o caso do ex-presidente Collor, afastado do poder por um movimento de ética na política, Olavo mostra que o discurso foi apenas uma arma para atingir um objetivo claro: afastar do poder um presidente indesejado.
Epicuro
O título do livro remete ao jardim de Epicuro, que o autor identifica como raiz da nova ordem, o abandono do mundo real em favor de uma realidade artificial criada para iludir o homem em um esquema mental de felicidade. O epicurismo é apresentado como um disfarce do materialismo, uma falsa filosofia que só se sustenta pela abolição da consciência e a completa dissociação da prática com a teoria.
O epicurismo parte do princípio que tudo é material e que a densidade é que faz a diferença entre coisas mais “reais” ou menos “reais”. A diferença dos deuses é que estes seriam mais rarefeitos e, portanto, mais duráveis. Os deuses não se ocupariam do humano, apenas conversariam caracterizando-se como os filósofos na essência, dedicariam-se ao ócio contemplativo. O homem seria movido pela busca do prazer e a causa de seus movimentos seria o desejo.
O epicurista deveria seguir uma auto-disciplina em torno de quatro convicções básicas:
1. Não se deve temer a morte;
2. É fácil alcançar o bem (o prazer);
3. Não se deve temer à divindade; e
4. É fácil suportar o mal.
Esta disciplina teria como objetivo a perda da consciência e a fuga da realidade. A meditação epicúria, renascida em nossos dias, é uma fuga do real, uma física para hipnotizados. Trata-se da perda da distinção entre o efetivo e o possível. O senso do real é onde repousa a moral e a responsabilidade. O epicurista foge do conhecimento objetivo pois este reflete um compromisso com a verdade e a coerência. Surgem os desejos na cultura de massa, o trio sexo-dinheiro-fama, caracterizando uma nova ética baseada em novos valores provocando o rompimento com a tradição.
Olavo denuncia o uso das modernas técnicas de psiciologia como arma de convencimento e o epicurismo como a origem na história da humanidade da manipulação das mentes. Não demorou muito para que o Estado Nacional, as empresas e os movimentos de massa passassem a utilizar as técnicas de moldagem de personalidade com o objetivo de subjugar a mente humana em um culto universal do engano.
Em um capítulo fascinante, descreve os trabalhos de Pavlov, Poezl e outros, envolvendo a programação neuro-linguística, reflexo condicionado, estimulação incoerente provocando reação contrária, propaganda subliminar e a lavagem cerebral, agora em sua forma mais cruel: permanente e de forma subliminar. A utilização destas técnicas pode ser vista no pragmatismo, neopositivismo, marxismo, pseudo-religião e Nova Era.
Marx
Não por acaso, Marx começou seus estudos por Epicuro. Olavo identifica (leia mais aqui http://goo.gl/gEq7Cc )
 

Conteúdo

Prefácio
8
A nova história da ética
19
Ética de Epicuro 57
30
Direitos autorais

9 outras seções não mostradas

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Termos e frases comuns

Informações bibliográficas