Obras de Luiz de Camões: Sonetos. Canc̜ões. Sextinas. Odes. Oitavas

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Página 136 - A formosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros; O manso caminhar destes ribeiros Donde toda a tristeza se desterra; O rouco som do mar, a estranha terra, O esconder do Sol pelos outeiros, O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a branda guerra; Enfim, tudo o que a rara Natureza Com tanta variedade nos ofrece, Me está, se não te vejo, magoando.
Página 10 - Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida, descontente, Repousa lá no Céu eternamente E viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento etéreo, onde subiste, Memória desta vida se consente, Não te esqueças daquele amor ardente Que já nos olhos meus tão puro viste.
Página 15 - Que a ela só por prémio pretendia. Os dias na esperança de um só dia Passava, contentando-se com vê-la: Porém o pai, usando de cautela, Em lugar de Raquel lhe deu a Lia. Vendo o triste pastor que com enganos Assi lhe era negada a sua pastora...
Página 167 - Tejo meu, quão diferente Te vejo e vi, me vês agora e viste: Turvo te vejo a ti, tu a mim triste, Claro te vi eu já, tu a mim contente. A ti foi-te trocando a grossa enchente A quem teu largo campo não resiste; A mim trocou-me a vista em que consiste O meu viver contente ou descontente. Já que somos no mal participantes, Sejamo-lo no bem. Oh! quem me dera Que foramos em tudo semelhantes!
Página 8 - Busque Amor novas artes, novo engenho. Pera matar-me, e novas esquivanças; Que não pode tirar-me as esperanças, Que mal me tirará o que eu não tenho. Olhai de que esperanças me mantenho! Vede que perigosas seguranças! Que não temo contrastes nem mudanças, Andando em bravo mar, perdido o lenho. Mas, conquanto não pode...
Página 2 - Que dous mil accidentes namorados Faça sentir ao peito que não sente. Farei que Amor a todos avivente, Pintando mil segredos delicados, Brandas iras, suspiros magoados, Temerosa ousadia, e pena, ausente. Tambem, Senhora, do desprezo honesto De vossa vista branda e rigorosa, Contentar-me-hei dizendo a menor parte.
Página 97 - Errei todo o discurso de meus anos; dei causa a que a Fortuna castigasse as minhas mal fundadas esperanças. De amor não vi senão breves enganos. Oh! quem tanto pudesse que fartasse este meu duro génio de vinganças!
Página 2 - Eu cantarei de amor tão docemente, por uns termos em si tão concertados, que dous mil acidentes namorados faça sentir ao peito que não sente. Farei que amor a todos avivente, pintando mil segredos delicados, brandas iras, suspiros namorados, temerosa ousadia e pena ausente.
Página 210 - Que, pois já de acertar estou tão fora, não me culpem também, se nisto errei. Sequer este refúgio só terei: falar e errar sem culpa, livremente. Triste quem de tão pouco está contente! Já me desenganei que de queixar-me não se alcança remédio; mas quem pena, forçado lhe é gritar, se a dor é grande.
Página 66 - No cabelo o valor do metal louro; No peito a neve, em que a alma tenho acesa. Mas nos olhos mostrou quanto podia, E fez deles um sol, onde se apura A luz mais clara que a do claro dia.