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Reprodução do original da capa do volume sétimo das «Obras de Luiz de Camões» entregue à Imprensa Nacional de Lisboa pelo Visconde de Juromenha (João António de Lemos Pereira de Lacerda).

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FRAGMENTO"

no

SÉTIMO E ULTIMO VOLUME

DAS

OBRAS DE LUZ DE CAMÕES

Quando se lançam os olhos sobre o pequeno ponto que occupa cm uma caria geographica o limitado Condado do Conde D. Henrique ou, para melhor dizer, de sua mulher a Rainha D. Thereza, a que se chamou Portugal; como se alargou, como por assim dizer abafado por. um visinho poderoso se constituiu em reino independente, como tudo se preparou para este fim, e um punhado de homens que apenas tinham desarmado as tendas no paiz conquistado dão a lei a quasi meio orbe desconhecido, a imaginação pasma, e por maior que seja a incredulidade não podemos deixar de nos curvarmos até ao chão perante Deus Omnipotente, que, pela sua benefica protecção a este paiz, permitiu que nossos maiores fossem o instrumento da sua divina acção plantando a Cruz como padrão da nossa fé, poder e gloria, e da verdade civilisadora do Evangelho entre povos barbaros incultos e desconhecidos.

Examinemos, embora de relance, as miraculosas coincidencias que acompanharam o progressivo e antigo engrandecimento

* Ver Nota no final d'este trabalho.

da nossa patria. Arrebata o governo das mãos de sua mãe o joven fundador da monarchia na batalha, que vence, de Valdevez, sem o que outra poderia ser a sorte da erecção da monarchia; uma lenda miraculosa inílamma os seus soldados e os que lhes succedem, e apoz uma batalha é acclamado Rei e confirmado pelo Papa. Progride gradualmente a conquista executada por soberanos guerreiros; abordam ás nossas praias accidentalmente as esquadras que iam para a Terra Santa e auxiliam-nos na expugnação das terras mais poderosas dos Mouros, como Lisboa, Alcácer do Sal e Silves; os monges militares do Templo, Santo Sepulchro, S. Thiago, Aviz, com a cruz do Cruzado no hombro que communica um valor magnetico aos punhos de soldados invenciveis, golpeiam, derrubam com suas espadas valerosas os mouros e pisam com as ferraduras dos seus cavallos as luas Sarracenas, sacudindo de todo os filhos de Agar dos Reinos de Portugal e Algarve que fogem para Granada ou para a Africa, ficando o solo Portuguez libertado muitos annos antes que os expulsassem do seu os Castelhanos.

A Reis conquistadores succede como providencialmente um D. Diniz, o Rei agricultor, intel li gente e predestinado para preparar mais ousados atrevimentos e alargar a area de elementos os mais vitaes e precoces de civilisação. Pela protecção ao que hoje chamamos interesses materiaes, fortalece a nação; levanta castellos, faz surgir villas, povôa charnecas. Rei sabio, poeta, faz mais; pelas sciencias e pelas lettrasMá alma ao corpo social. Com o auxilio pecuniario e conselho dos abbades de Alcobaça, Santo Agostinho, S. Bento e reitores de diversas egrejas seculares do reino funda a Universidade de Lisboahoje de Coimbra, onde pela primeira vez os seus

1 Veja-se a Bulla de Nicolau IV. De Statu regni (9 de Agosto 1290), aos mestres e estudantes de Lisboa. Archivo Nacional da Torre doTombo, Maço 12.°, n.° 2. da Collen-ao de Bulias.

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