Trilha estreita ao confim

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Iluminuras, 4 de ago. de 2021 - 128 páginas
"Dias e noites vagueiam pela eternidade, assim são os anos que vêm e vão como viajantes que lançam os barcos através dos mares ou cavalgam pela terra. Muitos foram os ancestrais que sucumbiram pela estrada. Também tenho sido tentado há muito pela nuvemovente ventania, tomado por um grande desejo de sempre partir." O poeta japonês Matsuo Basho (1644-1694) contemplava num harmonioso entardecer uma tranquila lagoa quando uma rã saltando sobre a água rompeu subitamente sua lisa superfície. Não com um forte ruído, mas com um som claro e distinto. Ao ouvir esse som cristalino, o poema fluiu quase que involuntariamente, Basho criaria neste momento o mais famoso de todos os haikais: velho lago mergulha a rã fragor d'água Basho percorreu os caminhos como poeta errante. Apresentamos aqui o ciclo completo de seus três principais relatos de viagem, traduzidos, pela primeira vez, diretamente do original: "Visita ao Santuário de Kashima" data de 1687 e consiste num pequeno relato repleto de haikais. Basho lança-se a pé pelas estradas e atravessa o país com o simples intuito de contemplar a lua cheia nascendo sobre o sagrado templo. No ano seguinte escreve "Visita a Sarashina". Neste relato que descreve a subida de uma íngreme montanha, podemos vislumbrar todo o processo de iniciação ao zen-budismo com suas duras provas e dificuldades na trajetória, em que o neófito em meio a ferrenha luta consigo mesmo percorre a escarpada senda rumo ao despertar, aqui representado pelo clarão da lua cheia. três vezes vi a lua cheia num céu sem nuvens "Trilha estreita ao confim" que teria a duração de quatro anos, se inicia em 1689 quando Basho, não resistindo ao chamado dos deuses da estrada, é impelido às remotas províncias do norte, passando por paragens ainda hoje consideradas como longínquas e misteriosas. Nesta obra manifesta-se o fluir contínuo e errante através da eternidade, a cosmopulsante unidade estabelecida entre o elemento efêmero e mutável (Ryuko), e a imutável e eterna essência (Kyo). gota de orvalho (transitório - Ryuko) ao sol da manha (eterno - Kyo) Precioso diamante (unidade) Traduzidos magistralmente por Kimi Takenaka e Alberto Marsicano, este livro é um convite ao leitor para mergulhar na extraordinária experiência de um poeta fundamental para a poesia contemporânea.
 

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Sobre o autor (2021)

Sobre os tradutores Kimi Takenaka, estudou literatura na Universidade de Illinois e na Universidade de São Paulo, onde faz pós-graduação em Tradução. No Japão aprofundou-se na língua e cultura japonesa nas cidades de Nagoya e Yokohama, onde manteve estreito intercâmbio com eminentes haikaistas. Em 1994 participou no Japão das comemorações do tricentenário da morte de Matsuo Basho promovidas pela Haiku International Association. Alberto Marsicano, (1952-2013), graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, é autor de Idiomalabarismos, Sendas Solares, Jim Morrison por Ele Mesmo, Rimbaud por Ele Mesmo e das traduções Escritos de William Blake, Haikai — Antologia da Poesia Clássica Japonesa e Sijô — Poesiacanto Coreana Clássica (Iluminuras). Introdutor da cítara clássica indiana (sitar) no Brasil, gravou os CDs Benares, Impressionismos, Ressonâncias e com o poeta Haroldo de Campos Isto Não É Um Livro de Viagem.

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