Raízes do Brasil

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Companhia das Letras, 1995 - 220 páginas
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"Para Sérgio Buarque, a sociedade brasileira era problemática, fraturada e ainda em construção. Raízes do Brasil pretende reconstruir não a identidade nacional, mas a identidade brasileira "tradicional", o arcaico que tende a ser superado. O "homem cordial", de conceito tão polêmico, refere-se à tentativa de reconstrução fora do ambiente familiar(...) do mesmo tipo de sociedade da família patriarcal, de um tipo de sociabilidade dependente de laços comunitários". Nada a ver, portanto, com uma suposta subservência e aversão ao embate".

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"Para Sérgio Buarque, a sociedade brasileira era problemática, fraturada e ainda em construção. Raízes do Brasil pretende reconstruir não a identidade nacional, mas a identidade brasileira "tradicional", o arcaico que tende a ser superado. O "homem cordial", de conceito tão polêmico, refere-se à tentativa de reconstrução fora do ambiente familiar(...) do mesmo tipo de sociedade da família patriarcal, de um tipo de sociabilidade dependente de laços comunitários". Nada a ver, portanto, com uma suposta subservência e aversão ao embate".
Neste momento, em que vivemos um avanço da elite econômica, que, descontente com Governo de esquerda, se associou ao lado conservador e elitista do Congresso e a grande mídia (controlada por poucos e com interesses comuns) para dar um golpe de estado para minar as conquistas sociais de minorias sempre desprestigiadas de nosso pais, entender melhor esse processo lendo este livro para esclarecer questões históricas de nossa sociedade.
 

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Trechos de Raízes do Brasil – Sérgio Buarque de Holanda
Fronteiras da Europa
• ...somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra....
• Toda hierarquia funda-se necessariamente em privilégios. E a verdade é que, bem antes de triunfarem no mundo as chamadas idéias revolucionárias, portugueses e espanhóis parecem ter sentido vivamente a irracionalidade específica, a injustiça social de certos privilégios, sobretudo dos privilégios hereditários. O prestígio pessoal, independente do nome herdado, manteve-se continuamente nas épocas mais gloriosas da história das nações ibéricas.
• Um dos pesquisadores mais notáveis da história antiga de Portugal salientou, com apoio em ampla documentação, que a nobreza, por maior que fosse a sua preponderância em certo tempo, jamais logrou constituir ali uma aristocracia fechada; a generalização dos mesmos nomes a pessoas das mais diversas condições- observa- não é um fato novo na sociedade portuguesa; explica-o assaz a troca constante de indivíduos, de uns que se ilustram de outros que voltam à massa popular donde haviam saído.
• A verdadeira, a autêntica nobreza já não precisa transcender ao indivíduo; há de depender das suas forças e capacidades pois mais vale a eminência própria do que a herdada.
• Efetivamente, as teorias negadoras do livre arbítrio foram sempre encaradas com desconfiança e antipatia pelos espanhóis e portugueses. Nunca eles se sentiram muito à vontade em um mundo onde o mérito e a responsabilidade individuais não encontrassem pleno reconhecimento.
• Nas nações ibéricas, à falta dessa racionalização da vida, que tão cedo experimentaram algumas terras protestantes, o princípio unificador foi sempre representado pelos governos. Nelas predominou, incessantemente, o tipo de organização política artificialmente mantida por uma força exterior, que nos tempos modernos, encontrou uma das suas formas características nas ditaduras militares.
• Um fato que não se pode deixar de tomar em consideração no exame da psicologia desses povos é a invencível repulsa que sempre lhes inspirou toda moral fundada no culto ao trabalho.
• ... Uma digna ociosidade sempre pareceu mais excelente, e até mais nobilitante, a um bom português, ou a um espanhol, do que a luta insana pelo pão de cada dia. O que ambos admiram como ideal é uma vida de grande senhor, exclusiva de qualquer esforço, de qualquer preocupação. E assim, enquanto povos protestantes preconizam e exaltam o esforço manual, as nações ibéricas colocam-se ainda largamente no ponto de vista da antiguidade clássica. O que entre elas predomina é a concepção antiga de que o ócio importa mais que o negócio e de que a atividade produtora é, em si, menos valiosa que a contemplação e o amor.
• Também se compreende que a carência dessa moral do trabalho se ajustasse bem a uma reduzida capacidade de organização social.
• O certo é que, entre espanhóis e portugueses, a moral do trabalho representou sempre fruto exótico. Não admira que fossem precárias, nessa gente, as idéias de solidariedade.
• A experiência e a tradição ensinam que toda cultura só absorve, assimila e elabora em geral os traços das culturas, quando estes encontram uma possibilidade de ajuste aos seus quadros de vida.
 

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