O homem-máquina: a ciência manipula o corpo

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Companhia das Letras, 2003 - 370 páginas
1 Resenha
Filósofos, cientistas, artistas e estudiosos - brasileiros e estrangeiros - discutem as relações entre ciência e corpo, para refletir sobre os limites da experimentação científica e os riscos do predomínio da tecnologia na existência humana. Reunião de ensaios apresentados no ciclo de conferências organizado por Adauto Novaes em 2001.

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Daniela Eda Silva
Mestranda Saúde Pública (ano 2010) - Universidade Federal de Santa Catarina
e-mail: dadaeda2000@yahoo.com.br
RESENHA DO CAPÍTULO DO LIVRO: BIOÉTICA E MANIPULAÇÃO DA VIDA.
UNIVERSIDADE FEDERAL SANTA CATARINA
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
DEPARTAMENTO DE SAÚDE PÚBLICA
MESTRADO DE SAÚDE PÚBLICA
Mestranda: Daniela Eda Silva
RESENHA
BIOÉTICA E MANIPULAÇÃO DA VIDA
Autor : Volnei Garrafa
Este capítulo aponta questões reflexivas e chama atenção para a impotência da ética e filosofia contemporânea diante de uma sociedade que está muito mais preocupada com o avanço tecnológico e a busca desenfreada pelo lucro.
O homem é o protagonista desta história por que ele criou a tecnologia, tem poderes de organizar, desorganizar, mudar os fundamentos da vida e se auto-destruir. Com base nestas implicações a ética da responsabilidade1 nos faz repensar sobre a manipulação da vida humana, da equidade na alocação de recursos para distribuição dos benefícios tecnológicos em que a sociedade como um todo obtenha acesso e não somente uma minoria. Ficam aqui algumas reflexões: Ao manipular a vida, estamos limitando-a ou controlando-a? A ética da responsabilidade é subordinada a ciência tecnológica? A bioética surge para tratar com respeito o pluralismo das sociedades modernas, sendo que o desejo livre de todos é soberano, entretanto não pode invadir as decisões de liberdade e os direitos dos outros.
A liberdade é essencial para bioética, espaço que os sujeitos exercem sua autonomia, entretanto fazê-la com responsabilidade, compromisso com a vida é fundamental. A bioética busca um comportamento responsável dos sujeitos que manipulam a vida, os interesses individuais que superam o bem público e percepção do meio em que se vive. Isso instiga a bioética invadir não só as questões da humanidade, mas também sistema terrestre (biossistema).
Intermediar conflitos entre progresso biomédico, direitos humanos e equilíbrio planetário, não tem sido tarefa fácil para os bioeticístas e aqueles que seguem este marco teórico. Por que as distorções são confluentes desde a mercantilização de óvulos, esperam até compra e venda de órgãos humanos. Neste caso lógico, mais uma vez a população vulnerável são os vendedores e os ricos os compradores. O discurso do Rabino Henry Sobel em 1999, no Brasil durante o encontro Internacional sobre Clonagem e Transgênicos, chama atenção: "A natureza é imperfeita, cria imperfeições biológicas... e é papel da ciência corrigir estas imperfeições”. Com outras palavras, põe nas mãos da ciência o poder e a responsabilidade pela vida humana.
Quando Garrafa2, sabiamente coloca que a mutalidade do mundo e da sociedade é uma certeza, mas quais são os limites da ciência?
Com isso paralelo a bioética avança em sua finalidade a equidade, que é significa reconhecer igualmente os direitos de cada um a partir de suas diferenças. A igualdade não é o mesmo que equidade, mas é o ponto de partida para se alcançar uma sociedade equânime. A igualdade busca a justiça social e o reconhecimento pela cidadania. A ciência tem responsabilidade pelo ser e pelo exercício de sua cidadania. Por fim, a equidade é uma das bases da bioética que deve guiar as decisões e discussões da vida.
Referências:
1. JONAS, Hans. Il principio responsabilità; unética per la civilità tecnológica. Turim: Einaudi, 1990.
2. GARRAFA, Volnei. Bioética e Manipulação da Vida. In NOVAES, Adauto (org). O homem-máquina:a ciência manipula o corpo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
 

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