Leitura em curso: trilogia pedagógica

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Autores Associados, 2003 - 98 páginas
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Por Lorena Brandizzi
“Leitura em Curso” é uma coletânea de textos escritos por Ezequiel Theodoro da Silva ao longo de sua carreira. O autor graduou-se em Língua e Literatura Inglesa pela PUC-SP e
adquiriu o grau de mestre em educação pela Universidade de Miami e o de doutor em psicologia da educação pela PUC-SP. Dentre suas principais publicações encontram-se importantes obras a respeito da leitura escolar e dos problemas que envolvem o ensino da leitura em nosso país.
O presente livro, ao lado de “Unidades de Leitura” e “Conferências sobre Leitura“, faz parte de uma “Trilogia Pedagógica”. O objetivo de Ezequiel Theodoro ao publicar em conjunto essas três obras é divulgar grande parte do trabalho que vem executando há mais de trinta anos em sua luta pela democratização do acesso à leitura em um país que há muito tempo vem desprezando (ou ignorando) o valor e a importância do livro na caminhada escolar de suas crianças.
O livro divide-se em três partes. A primeira, cujo título é “Revisitando os meus textos prediletos (ou um convite para a fruição da leitura de textos de leitura)”, apresenta cinco textos que tratam, principalmente, da dificuldade que os professores têm de cultivar o hábito da leitura. O autor ensina que é praticamente impossível a um professor que não leia compreender a importância da leitura e, compreendendo-a, ensiná-la a seus alunos. Entretanto, Ezequiel nos explica que a culpa não deve ser toda lançada sobre o professor, pois o seu afastamento dos livros é condicionado por uma série de fatores: o baixo salário que o impede de comprar as obras que necessita ou deseja ler, a pesada carga horária que deve cumprir em sala de aula, os compromissos que deve honrar em sua vida pessoal que lhe tomam ainda mais tempo... O autor assume o quanto é difícil para o professor “produzir leituras”, mas ainda assim, em uma tentativa de restaurar o prazer pela leitura na vida de tantos educadores que já o perderam, Ezequiel declara que é hora de “catar cacos e começar a criar, ou ao menos tentar...”. Apesar de toda a dificuldade e falta de apoio que encontram até mesmo dentro da escola, os professores devem entender que a leitura é como os faróis de um carro que iluminam o caminho à noite e fazem com que o motorista centralize sua atenção no que realmente importa: a caminhada, a evolução.
A segunda parte do livro, “Aguçando as retinas e esquentando o coração”, é composta por mais cinco textos que abordam a postura do professor enquanto motivador do hábito da leitura, sua posição (ou falta de posicionamento) político e a natureza pedagógica do trabalho do bibliotecário. O autor apresenta duas questões importantes no que diz respeito ao trabalho do professor com leitura: sua concepção de leitura e a liberdade que tem para interpretar e estimular o ato de ler em sala de aula. Além disso, ele também esclarece que todo e qualquer trabalho executado em sala de aula tem um caráter político, mesmo que o professor proclame aos quatro ventos que não se envolve com política. O imprescindível é que o educador tenha consciência do caráter político de sua função e que saiba posicionar-se adequadamente. Ezequiel ensina que o domínio da leitura é emancipatório na medida em que possibilita a descoberta de novos mundos, a compreensão dos sistemas ideológicos que cercam o indivíduo e na medida em que capacita o leitor a fugir das amarras alienantes desses sistemas. Por último o autor discute a importância da biblioteca e do bibliotecário na luta pela democratização da leitura. Para ele, esse profissional deve assumir o caráter pedagógico de sua atividade e a necessidade de se posicionar politicamente. Para Ezequiel o bibliotecário é uma figura chave no processo motivacional da leitura.
Na terceira e última parte do livro intitulada “Focando o aluno-leitor – uma forma de produzir programas de leitura”, o autor traz um assunto que, à primeira vista, pode parecer até lógico. Ele trata da figura do aluno
 

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