FISIONOMIA DA CIDADE, Volume 2

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biblioteca24horas - 388 páginas
1 Resenha
Estudar a história urbana de Sorocaba, através da perspectiva da modernidade, é o tema central deste livro. Isso significa relacionar as transformações urbanas que ocorrem no espaço da urbe como processo histórico de espraiamento e interiorização da relação social capitalista na sociedade brasileira. Especificamente, nas últimas décadas do século XIX e primeiros decênios do século XX. Nesse momento, há a difusão de uma modernidade específica, chamada Belle Époque. O presente livro pretende averiguar se é possível identificar a ocorrência de uma modernidade da Belle Époque numa cidade do interior do Estado de São Paulo. Abordando a história da implantação de importantes melhoramentos urbanos, como o serviço de águas e esgotos, eletricidade e bondes elétricos, além do mapeamento de um conjunto de representações, que indicam diferentes práticas sociais e culturais e que perpassam a sociedade sorocabana no período, adentrando, assim, a esfera do cotidiano. Através desses recortes e inspirado na teoria da história elaborada pelo pensador Walter Benjamin, busca-se a fisionomia da cidade.
 

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Além da descrição das precárias condições de vida dos miseráveis que vivem do resto da
sociedade, a citação anterior traz à tona a imagem do trapeiro analisada por Benjamin. Assim como o
trapeiro
ganha a vida com os rejeitos, o poeta também faz daquilo que a cidade jogou fora e destruiu
a matéria de sua poesia.
xvi
Neste sentido, a croônica de João do Rio,
Pequenas profissões,
não se
trata apenas da descrição das atividades dos catadores de lixo, que encontram nos restos da
sociedade suas formas de sobrevivência. Trata-se também de mostrar como os poetas da vida
moderna encontram no lixo da sociedade um tema heróico e de reconstituir os traços daquilo que a
cidade jogou fora.
A idéia de transformar em matéria de reflexão aquilo que a cidade expulsa, presente nas crônicas
de João do Rio, será recuperada mais tarde, por Rubem Fonseca. Não obstante seus romances e
contos se situem em um contexto totalmente diferente da obra de Macedo e João do Rio, a obra de
Rubem Fonseca dialoga com a tradição da narrativa urbana recriando-a.
xvii
Este diálogo se torna explícito no conto de Rubem Fonseca
A arte de andar nas ruas do Rio de
Janeiro,
cuja epígrafe é extraída de
Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro
, conto de Joaquim
Manoel de Macedo publicado nos anos de 1860. Em suas andanças pelo centro da cidade Augusto
— personagem que assume o papel de
flâneur
no conto de Rubem Fonseca — registra tudo o que
vê e reconstrói, assim como Macedo, a memória das ruas. Ao passar pelo Campo de Santana,
registra que ali foi o lugar onde Dom Pedro foi aclamado imperador,
xviii
indo em direção à rua do
Mercado registra que ali não há mais mercado algum.
 

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Conteúdo

Introdução
7
Capítulo I
27
Considerações Finais
357
Anexos
382
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