Clara dos Anjos

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Editôra Mérito, 1948 - 299 páginas
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CLARA DOS ANJOS (RESENHA, RESUMO DO LIVRO)
Esta obra inacabada do carioca Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922) traz a marca indelével do retrato da sociedade urbana de então, fortes traços
autobiográficos, crítica social, principalmente as discriminações de caracteres racial e econômico, estilo direto e perspicaz, sendo colocada, por alguns, entre as pré-modernistas brasileiras.
À primeira vista, parece haver certo maniqueísmo na construção dos personagens e das circunstâncias. Porém, se tais não viessem comprovados pela observação da realidade, mesmo que sob o filtro do escritor, poderíamos dizer que assim o é.
“Clara", nome de santa, reforçado com a locução adjetiva “dos Anjos”, descreve bem o perfil da protagonista ingênua vítima de um aproveitador. História que se repete nos dias de hoje em todas as classes sociais.
Lima Barreto desdobra-se em diversos personagens e os coloca nas situações que ele passou ou conheceu.
Dando-nos um impressionante retrato de seu tempo, mesclados as suas considerações de ordem ideológica, tem a destreza em não criar ranços com doutrinação descarada. O valor literário sobrepõe-se a um possível messianismo e proselitismo.
Assim, vai traçando a saga da filha do carteiro Joaquim dos Anjos, amante do violão e das modinhas. O tocador de flauta, compositor de valsas, tangos e acompanhamento de modinhas organizava encontros aos domingos em sua casa com os amigos para jogar o solo.
Dentre os frequentadores da casa do mineiro de nascença estavam o compadre Senhor Antonio da Silva Marramaque e Eduardo Lafões, principalmente. Marramaque era poeta modesto e assíduo, no passado, de rodas literárias famosas e abastadas. Lafões, guarda de obras públicas, era nascido português.
Certo dia, em meio a conversas sobre política e outros temas sociais, Lafões pede autorização ao anfitrião para levar um mestre do violão e da modinha até a casa, aos encontros de domingo. Este era nada mais, nada menos, que Cassi Jones, ou melhor, Cassi Jones de Azevedo, filho de Manuel Borges de Azevedo e Salustiana Baeta de Azevedo.
O interesse pelo rapaz foi despertado em Clara. Completaria dezoito anos de idade e teria sua festa animada por aquele que viria a ser o seu algoz de um pouco mais de trinta anos de idade.
Branco, sardento e desprezível de corpo e rosto, o bem vestido arremedo de artista vivia de seduzir moças jovens e senhoras casadas, causando frequentes escândalos noticiados até por jornais. Safava-se sob os argumentos de Dona Salustiana caluniando às vítimas geralmente de classes menos favorecidas financeiramente. Obviamente, o irmão da progenitora, o doutor Baeta Picanço, dava uma “mãozinha”.
O pai de Cassi, um homem sério, funcionário público aposentado, tinha a admiração de todos e não aprovava a crapulice de seu filho Cassi. As irmãs Catarina e Irene, orgulhosas de suas linhagens, também desaprovavam os atos do irmão.
Na festa de aniversário da mulata Clara, havia mais gente de meia idade do que de moças e rapazes. Havia um frenesi no ar a respeito da vinda de Cassi para a confraternização. Não faltavam, porém, advertências sobre o seu caráter.
Finalmente, Lafões anuncia, alegre, a chegada do rapaz. Este absteve-se de beber e dançar, mas foi reforçar o terno de cavaquinho, flauta e violão.
Marramaque mostra-se apreensivo ao ver a afilhada achegando-se desenvolta ao estereotipado e falso violeiro cheio de trejeitos. Escarneia e desafia o farsante recitando uma poesia com grande esforço físico devido a sua paralisia parcial. Cassi antipatizou com o arguto senhor e jurou para si mesmo vingança.
Ao final da festa, Dona Engrácia e o marido conversam a respeito do caráter de Cassi e de sua fama, bem como do que presenciaram na festa. Acordaram em não mais recebê-lo na casa. Clara em seu quarto chorava em silêncio ao ouvir a conversa dos pais.
Quinze ou vinte dias após a festa, num domingo, o atrevido e dissimulado desocupado do Cassi, vai à casa de
 

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