Cartas a um jovem terapeuta: reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos

Capa
Gulf Professional Publishing, 2004 - 155 páginas
Através de cartas imaginárias enviadas a dois terapeutas iniciantes - um jovem e uma jovem -, o psicanalista Contardo Calligaris divide com o leitor todo seu conhecimento e experiência em psicologia. Calligaris recorre ao método de perguntas e respostas para discutir e se aprofundar na profissão, e dá as informações necessárias a quem deseja conhecê-la melhor. Em tom bem-humorado e afetuoso, Contardo fala sobre o que é necessário para ser um bom psicoterapeuta, discute situações em que o paciente se apaixona pelo terapeuta, reflete sobre o começo da carreira, as diferenças entre psicoterapia e psicanálise, a problemática de se conseguir mais pacientes, entre outras questões.

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Cartas a um Jovem Terapeuta
“...há sujeitos para quem é crucial ser constantemente o objeto de veneração amorosa[...] se, por alguma razão (que não precisa ser igual a do meu pai)[a repetição
dita pelo autor, que seu pai fazia como relação amorosa de seus pacientes representando a representação amora de sua mãe], é importante para você se alimentar de reconhecimento e no agradecimento infinitos dos outros, então não escolha a profissão de psicoterapeuta.”
Para o terapeuta fica a conclusão , dos outros, de que ele pode saber mais sobre o individuo do que ele próprio, o que quase sempre irá gerar, já inicialmente, um afastamento em alguma escala, afinal de contas, ninguém quer ter sua subjetividade explorada por um simples e rápido ato-falho.
E deve-se considerar que esse tipo de respostas agradecidas como presentes podem se colocar como um fator prejudicial ao tratamento do individuo “agradecido”.
Um psicoterapeuta pode cultivar, facilmente, em seus pacientes esse fator agradecimento, porém não estaria agindo de forma adequada quanto ao tratamento deste paciente. Todavia essa busca por reconhecimento pode ocorrer de forma positiva, caso o indivíduo em questão (adorador de adoração), torne-se um teórico por exemplo. Ou mesmo buscando esse reconhecimento na inventividade de novas formas de tratamentos. Caso essa busca por reconhecimento não esteja atrelada aos pacientes, qualquer um pode buscar esse reconhecimento “profissional” de qualquer forma. Não é aconselhável, a alguém que demande ar, e admiração, que se torne um psicoterapeuta
Uma personalidade desejável a um psicoterapeuta pode até mesmo ser religiosa, ou ter seus preconceitos, e/ou neuroses, mas é iminente a necessidade de que não se faca um julgamento de valor sobre os comportamentos de pacientes a serem tratados.
Afinal é mais do que provável que nos deparemos com indivíduos com motivações, razoes, fetiches, etc., completamente diferentes dos nossos, e não é permitido ao terapeuta essa posição de julgamento de valores frente ao comportamento de um paciente.
Por fim um indivíduo que candidata-se a psicoterapeuta deve estar disposto a passar pelo processo analítico ( ou terapêutico), e não somente para conhecer a dinâmica clinica, mas também para tratar de seus próprio demônios e até mesmo estar disposto a mexer nas partes mais íntimas que podem vir a tona sem explicação aparente. Mesmo que não queiramos fazer esse movimento de imediato, se faz muito interessante que tenhamos essa disposição para enfrentarmos essa dor psíquica, pois um dia, qualquer um desses demônios adormecidos, pode simplesmente acordar e teremos a necessidade de enfrentá-los.
“...se você sofre, se seus desejos são um pouco estranhos, se você contempla com carinho e sem julgar (ou quase) a variedade das condutas humanas, se gosta da palavra e se não é animado pelo projeto de se tornar um notável de sua comunidade, amado e respeitado pela vida a fora, então bem-vindo ao clube...”
 

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