As identidades do Brasil: De Varnhagen a FHC, Volume 1

Capa
FGV Editora, 2007 - 278 páginas
O autor, José Carlos Reis retoma e analisa algumas das mais importantes interpretações do Brasil, aquelas que ultrapassaram a condição de simples referências intelectuais, de meros modelos discursivos, para se tornar as 'inventoras' das identidades do Brasil vivido e real, orientando os brasileiros em suas opções políticas, em sua auto-identificação e auto-representação. O autor sobrevoa 120 anos do pensamento histórico brasileiro - de Varnhagen, nos anos 1850, a Florestan Fernandes e FHC, nos anos 1970.
 

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Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878)
O titulo de Heródoto Brasileiro e fundador da história oficial do Brasil, lhes é propicio segundo José Carlos Reis, a história produzida por Varnhagen foi
pioneira pelo fato de ter tido grande apoio do governo monárquico brasileiro, como também por acesso fácil as fontes oficiais e pelo seu talento indiscutível de autodidata. Fortemente ligado e influenciado pelo convívio com a dinastia de Bragança, ele produziu uma história do ponto de vista do conquistador, exaltando seus feitos e heróis nacionais, a colonização portuguesa que para ele teria sido um grande feito que abriria possibilidades de um futuro promissor. A história geral do Brasil superou as demais obras de seus contemporâneos, Reis nos diz que essa história geral do Brasil refletia uma preocupação nova no Brasil, com sua própria história, com a documentação sobre o passado, proporcionada pela fundação do IHGB. Reis também relata que a constituição dessa obra só foi possível por que as condições históricas lhes eram propicio e o processo de independência e a politica juntamente com a constituição do Estado nacional Brasileiro havia avançado na década de 1850. A obra de Varnhagen ganhou notoriedade e ele granjeou o titulo de visconde de Porto Seguro, morando na Europa sua história sofreu influência de Ranke na sua linha de pensamento, pois ele era bem criterioso na exegese documental. Varnhagen queria assessorar o jovem imperador na construção da identidade do seu império, e o imperador precisava dos historiadores para legitimar-se no poder, a nação precisava de uma historia oficial, de um passado pelo qual se pudesse orgulhar-se, e esse passado é extremamente luso-brasileira, sua conquista e colonização aparecem na obra de Varnhagen de forma apaixonante, que mostrou o português como o grande inventou do Brasil, desbravador, herói que venceu as adversidades físicas dos trópicos e modificou todo o território brasileiro, lançando as bases da nação. Varnhagen sofreu duras críticas das gerações seguintes, desde Capistrano de Abreu foi seu maior crítico, acusou Varnhagen de produzir uma história repetitiva não reconhecendo os movimentos populares. A visão do português como agente civilizador, que trouxe a cultura, idioma e a religião, lançando as luzes para um mundo primitivo dominado por selvagens, e a recém-formada nação não sobreviveria sem esse legado histórico-cultural e político oriundo da Europa.
Gilberto Freyre (1930)
Esses Adjetivos definido por José Carlos Reis tenta definir a importância de Gilberto Freyre e sua obra para se definir o Brasil posterior a Varnhagen e Capistrano de Abreu, grande casa e senzala (1933) e sobrados e mocambos (1936), grande casa e senzala é a interpretação mais conhecida do Brasil no exterior. Reis vai nos mostrar que a obra que Gilberto Freyre produziu foi uma espécie de auto antropologia da cultura na qual nasceu, a nordestina, o relato de Freyre aparece vivo em sua complexidade e contraditoriedade. Ele quis mostrar que houve uma junção entre as varias culturas que formaram o Brasil, Reis vai dizer que ele uma revivência desse passado colonial brasileiro e uma recriação do nosso passado, em seus espirito e no leitor de sua obra. Freyre foi fortemente influenciado por Franz Boas, antropólogo Americano ao qual importou o conceito de cultura e o historicismo, sua abordagem histórica é não evolucionista, não progressiva e anti-iluminista neokantistas. Grande casa e senzala é uma obra que tem os princípios varnhagianos, pois, tenta reelogiar e justificar a colonização portuguesa do Brasil, mostrando o Brasil como uma sociedade original e multirracial nos trópicos, criação do português, para sua época onde as elites entram em crise ele traz um Brasil orgulhoso de sua colonização portuguesa, sua legitimação varnhagiana da conquista e colonização colonial.
 

Conteúdo

Introdução à ga Edição
6
Varnhagen
23
Gilberto Freyre
51
Capistrano de Abreu
85
Sérgio Buarque de Holanda
115
Nelson Werneck Sodré
145
Caio Prado
173
Florestan Fernandes
203
Fernando Henrique Cardoso
235
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