A interpretação das culturas

Capa
LTC Editora, 1989 - 213 páginas
1 Resenha
Esta obra visa a consubstanciar as concepções geertzianas sobre o que é cultura, que papel esta desempenha na vida social e como deve ser estudada, numa tentativa de esclarecimento sistemático do próprio conceito cultural em suas relações com o comportamento real de indivíduos e grupos. Direta ou indiretamente, os quinze capítulos que compõem este volume relacionam-se com o conceito de cultura. Neste livro o leitor pode perceber que o autor não se alheia da problemática de outras áreas afins, como Organização Social, História Comparada, Ciência Política e Ecologia Cultural, cujos temas também se refletem em vários capítulos das Partes III e IV. Os dois capítulos da Parte II dedicam-se às relações entre cultura e evolução biológica e na Parte V figura um ensaio sobre a obra de Lévi-Strauss.

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Qualquer tentativa de falar num idioma particular não tem maior fundamento que a tentativa de ter uma religião que não seja uma religião em particular... Assim, cada religião viva e saudável tem um idiossincrasia marcante. Seu poder consiste em sua mensagem especial e surpreendente e na direção que essa revelação dá à vida. As perspectivas que ela abre e os mistérios que propõe criam um novo mundo em que viver; e um novo mundo em que viver - quer esperemos ou não usufruí-lo totalmente - é justamente o que desejamos ao adotarmos uma religião.
Santayana, Reason inReligion
Geertz, p. 65
No trabalho antropológico sobre religião duas características destacam-se como curiosas quando se compara esse trabalho com o desenvolvido antes e após a I Guerra: 1) o fato de não ter sido feito nenhum progresso teórico de maior importância; ele continua a viver do capital conceptual de seus antepassados, acrescentando muito pouco a ele, a não ser certo enriquecimento empírico. 2) Esse trabalho continua a extrair os conceitos que utiliza de uma tradição intelectual estreitamente definida. (...) ninguém pensa em procurar ideias analíticas em outro lugar...
Na página 66...
O conceito de cultura denota um padrão de significados transmitido historicamente, incorporado em símbolos, um sistema de concepções herdadas expressas em formas simbólicas por meio das quais os homens comunicam, perpetuam e desenvolvem seu conhecimento e suas atividades em relação à vida.
Na página 68...
...o estudo da atividade cultural - uma atividade na qual o simbolismo forma o conteúdo positivo - não é abandonar a análise social em troca de uma caverna de sombras platônicas, entrar num mundo mentalista de psicologia instrospectiva ou, o que é pior, de filosofia especulativa, e lá vaguear eternamente numa neblina de 'cognições', 'afeições', 'volições' e outras entidades nebulosas. Os atos culturais, a construção , apreensão e utilização de formas simbólicas, são acontecimentos sociais como quaisquer outros;
...ainda há diferença entre construir uma casa e fazer uma planta para a construção de uma casa; ler um poema a respeito de ter filhos no casamento não é o mesmo que ter esses filhos.
...analogia entre um fio de DNA e os padrões culturais
Na página 69...
...os padrões culturais são 'modelos' de que eles são conjuntos de símbolos cujas relações uns com os outros 'modelam' as relações entre as entidades, os processos ou o que quer que seja nos sistemas físico, orgânico, social ou psicológico fazendo paralelos, imitando ou estimulando-Na página 70...
...ser devoto não é estar praticando algum ato de devoção, mas ser capaz de praticá-lo.
 

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