A escrita da história

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UNESP, 1992 - 354 páginas
2 Resenhas
Este volume representa uma amostra significativa das mais recentes tendências da metodologia e da prática historiográficas. Reúne textos de alguns dos mais importantes historiadores contemporâneos, que analisam as principais contribuições em cada domínio específico e esboçam as perspectivas do seu futuro desenvolvimento.

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Resenha do primeiro capitulo de A escrita da história, pág. 07 à 37 de Peter Burke.
BURKE, Peter. A escrita da história: novas perspectivas . São Paulo: Unesp, 1992.
Marcos Vincius Benedete Netto
, 2013
Burke inicia o capitulo falando da mudança de rumos em relação a Nova História. Ele segue falando de uma geração de historiadores que exploram novos campos da História antes deixados de lado. Burke também comenta sobre a fragmentação ocorrida entre a história social e história econômica. Da História social derivaram-se vários campos da historiografia, como a História Demográfica, História Urbana, História Rural, do trabalho e muitas outras.
A própria História econômica tem uma divisão entre a nova e a velha História econômica e, além disso, tem havido um deslocamento da preocupação com a produção para uma preocupação com o consumo.
Burke fala também que a Nova História é motivo de controvérsia entre os próprios historiadores quanto a sua definição, segundo ele os historiadores a definem pelo que ela não é, destacando sua oposição em relação a história tradicional ou história “Rankeana” que se fundamenta nos princípios do positivismo onde a comprovação por meio de documentos oficiais leva ao caminho da verdade que é completamente oposta a base filosófica da nova história onde a ideia é de que a realidade é socialmente ou culturalmente construída e destrói a tradicional distinção entre o que é central e o que é periférico na história.
Para Burke são seis pontos principais que definem o que não é a Nova História:
1- De acordo com o paradigma tradicional, a história diz respeito essencialmente à política. Sir John Seeley, Catedrático de História em Cambridge, “História é a política passada: política é a história presente”. Por outro lado, a nova história começou a se interessar por virtualmente toda a atividade humana. “Tudo tem uma história” tudo em um passado que pode em princípio ser reconstruído e relacionado ao restante do passado. Tópicos que anteriormente não se havia pensado possuírem uma história, como, por exemplo, a infância, a morte, a loucura, o clima, os odores, a sujeira e a limpeza, os gestos, o corpo (como apresentado por Roy Porter, p. 291), a feminilidade (discutida por Joan Scott, p. 63), a leitura (discutida por Robert D am ton, p. 199), a fala e até mesmo o silêncio.
2- Os historiadores tradicionais pensam na história como essencialmente uma narrativa dos acontecimentos, enquanto a nova história está mais preocupada com a análise das estruturas.
3- A história tradicional oferece uma visão de cima, no sentido de que tem sempre se concentrado nos grandes feitos dos grandes homens, estadistas, generais ou ocasionalmente eclesiásticos. Os novos historiadores estão preocupados com a “História vista de baixo”
4- Segundo o paradigma tradicional, a história deveria ser baseada em documentos. Um a das grandes contribuições de Ranke foi sua exposição das limitações das fontes narrativas e sua ênfase na necessidade de basear a história escrita em registros oficiais, emanados do governo e preservados em arquivos.
5- De acordo com o paradigma tradicional, memoravelmente enunciado peto filósofo e historiador R.G . Collingwood, Quando um historiador pergunta “Por que Brutus apunhalou César?” ele quer dizer “O que Brutus pensou o que fez com que ele decidisse apunhalar César?”. Esse modelo de explicação histórica foi criticado por historiadores mais recentes em vários campos, principalmente porque ele falha na avaliação da variedade de questionamentos dos historiadores.
6- Segundo o paradigma tradicional, a História é objetiva. A tarefa do historiador é apresentar aos leitores os fatos, ou, como apontou Ranke em uma frase muito citada, dizer “como eles realmente aconteceram.” O relativismo cultural obviamente se aplica tanto à própria escrita da história, quanto a seus chamados objetos. Nossas mentes não refletem diretamente a realidade. Só
 

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