A arqueologia guarani: construção e desconstrução da identidade indígena

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Annablume, 2003 - 138 páginas
 

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Notas sobre Determinismo Ecológico na pré-história Amazônica
O texto Determinismo ecológico na interpretação do desenvolvimento indígena da Amazônia, de Anna Roosevelt, aborda os trabalhos de
antropólogos norte-americanos, como Betty Meggers, que sugerem que a Amazônia é pobre em recursos ambientais, o que teria determinado o não desenvolvimento de complexidade cultural entre as sociedades indígenas.
Tais sociedades viveriam, segundo a teoria, em aldeias simples, compostas de caçadores-coletores e horticultores primitivos. Assim, o desenvolvimento cultural da região só teria sido possível graças às invasões sofridas, o que não se confirma pela natureza, variação genética, cultural e lingüística, e cronologia da adaptação e desenvolvimento cultural sul-americano.
Formulada em meados do século XX, essa teoria reflete a intenção neo-colonial estadunidense, desejoso de mercados consumidores e fornecedores de mão-de-obra e matéria-prima baratas. Os trabalhos desenvolvidos nesta chamada arqueologia científica estavam geralmente veiculados ao Departamento de Estado e ao organismo que posteriormente daria origem à CIA.
Até este momento havia poucos dados empíricos sobre a pré-história amazônica, e pouco diálogo com fontes etnohistóricas e evidências arqueológicas, sendo a teoria determinista formulada com base nas sociedades indígenas atuais, desconsiderando, ainda, trabalhos anteriores por considerá-los pré-científicos. Com isso também acabaram refutando as novas técnicas cientificas, pois estas os contradiziam.
De positivo esta teoria trouxe a reflexão sobre a influência da ecologia na antropologia amazônica.
Quando a arqueologia nacional ganhou programas de cooperação entre instituições independentes, e novos pesquisadores vieram a campo, começam a parecer publicações que refutam a teoria do determinismo ecológico.
A região amazônica passa a ser entendida como ambiente diverso em solos, clima, incidência de chuvas, e presença de espécies faunísticas e vegetação. E com as sociedades indígenas pré-históricas tendo conhecimento e domínio das áreas propícias ao fornecimento de alimento, especialmente na agricultura intensiva, e fauna aquática, o que propiciou o sedentarismo, a fabricação de cerâmica e o desenvolvimento de sociedades complexas, por cerca de 4000 anos, tornando a mandioca sua fonte principal de calorias.
Cacicados aparecem com surgimento de status diferenciados de acesso aos recursos, recolhimento de tributos, uso de guerras com fins territoriais e de conquista de cativos, inclusive envolvendo ideologia canibalista. Há crescimento populacional levando à concentração de milhares de pessoas. Estruturas urbanas se proliferam, bem como diversificada fica a produção artesanal, e se expande a comercialização de objetos. Grandes exemplos são as sociedades marajoara e tapajônica.
Estes cacicados se desenvolveram quando a Amazônia se tornou preenchida, segundo a teoria da evolução social por circunscrição, que os explica através da adaptação ecológica, demográfica e social – com outros grupos.
Estavam em plena expansão quando na chegada dos europeus, que dominam as melhores terras, desintegram as sociedades complexas, e as forçam a ocupar as florestas de terra firme, historicamente local diferente de sua sobrevivência e que oferecem menores condições ao desenvolvimento demográfico, social, econômico e político, onde o milho passa a ser principal alimento, a ponto de evidências mostrarem redução da estatura média masculina, e patologias associadas à anemia, osteoporose, etc. Os grupos indígenas atuais se tornaram marginalizados dentro do Estado nacional moderno.
As evidências apontadas para estas conclusões são artefatos líticos, depósitos de detritos, cerâmica Saladoire e Barrancóide, pedras semelhantes às usadas nos raladores de mandioca, contextos geomorfológicos e faunísticos diferentes dos atuais, datações radiocarbônicas de plantas pré-históricas, estudo da patologia óssea
 

Conteúdo

APRESENTAÇÃO
13
INTRODUZINDO A TEORIA ARQUEOLÓGICA
30
CONTRIBUIÇÕES ESTRANGEIRAS
50
A DELIMITAÇÃO DE GRUPOS
65
ABORDAGENS SOBRE TEMAS GUARANIS
90
A INVENÇÃO DO GUARANI ARQUEOLÓGICO
103
IMPLICAÇÕES DA E PARA A ARQUEOLOGIA
117
BIBLIOGRAFIA
133
Direitos autorais

Termos e frases comuns

Informações bibliográficas