A Estrada E O Tempo

Capa
Clube De Autores - 402 páginas
“A Estrada e o Tempo” fala de escolhas, que, muitas vezes, são influenciadas pelo comportamento de uma sociedade cujos valores são voltados ao dinheiro e ao poder. Transitando entre dois universos opostos: a zona de miséria e os ricos casarões do bairro nobre de uma antiga cidade, o autor narra sobre circunstâncias que envolvem ganância, soberba, hipocrisia, assassinato, remição e o amor, ao mesmo tempo em que, de um modo irônico-trágico, critica as estruturas sociais dos grandes centros urbanos e o descaso das instituições públicas. Apesar de não ter sido explicitado na obra – talvez na tentativa de causar no leitor uma sensação de que tudo é pura ficção –, o romance é ambientado na cidade do Recife, entre os anos sessenta e oitenta, inserido em um contexto político-social turbulento seguido da redemocratização do país. Os relatos trazidos acerca das intervenções urbanísticas, ocorridas na região central da cidade (ainda no início do século vinte), não são meros frutos da imaginação do autor, e sim o retrato de uma realidade na qual se observou a retirada de centenas de moradores e comerciantes, sob o pretexto de inserir a cidade no "circuito das cidades modernas" acarretando, como consequência, a formação de bolsões de miséria, os quais se espalharam no decorrer dos anos.

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Esse é um livro para quem tem fôlego. Uma narrativa longa que cheia de ganchos, leva o leitor a uma certa desorientação no início do livro. Muitas personagens são apresentadas logo nos primeiros capítulos e ocorre uma avalanche de informações a cada página.
No entanto, após alguns capítulos o leitor entra de "cabeça" na história, não conseguindo mais para de ler. Novos fatos vão surgindo, ligados aos fatos narrados nos capítulos anteriores e a vontade de conhecer o desfecho é imensa.
A personagem principal narra de uma forma que vai proporcionado ao leitor uma série de reflexões.
O livro tem vinte e três capítulos (402 páginas) que vão encaixando a trama aos poucos, mas para a surpresa do leitor, na reta final, já no capítulo 19, há uma reviravolta modificando completamente o rumo da trama.
A descoberta de quem cometeu dois assassinatos nos lembra o desfecho de um filme, de uma forma completamente ligada ao tema que o autor se propôs a tratar. De uma maneira bastante surpreeendente, no desfecho dos assassinatos o autor expressa um sentimento bem peculiar sobre toda construção da personagem diante dos conflitos apresentados.
Apesar de haver fatos ligados a uma trama policial, o livro não é nem de perto uma narrativa policial. É uma narrativa que fala de condições sociais, de possibilidades de escolhas, de como as aparências de camadas sociais influenciam no comportamento e nas escolhas das pessoas inseridas numa sociedade moderna.
Livro maravilhoso. Romance surpreendente. Recomendo.
 

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